ELEIÇÕES 2026
“Nunca vi uma campanha tão sem graça”, dispara Júlio Campos sobre eleição de 2026
Mato Grosso
Candidato à reeleição pelo União Brasil afirma que disputa ao Governo está sem vibração e diz que apenas candidatos à Assembleia Legislativa estão movimentando as ruas
O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), candidato à reeleição, classificou a campanha eleitoral de 2026 como a mais “estranha” de sua trajetória política. Com 54 anos de participação em disputas eleitorais, o parlamentar afirmou que nunca havia presenciado uma eleição com tão pouca movimentação, especialmente entre os candidatos aos cargos majoritários.
“É a campanha mais estranha da minha vida. Estou na política partidária, disputando eleição, desde 1972, há 54 anos. Eu nunca vi uma campanha tão sem graça, tão sem vibração, tão sem alma, tão sem coração e tão esquisita como esta de 2026”, afirmou.
Segundo Júlio, a falta de movimentação é mais perceptível na disputa pelo Governo de Mato Grosso. Ele citou a existência de quatro ou cinco candidatos, mas avaliou que praticamente não há presença deles nas ruas.
Para o deputado, a disputa pelo Senado apresenta um pouco mais de movimentação, enquanto a eleição para deputado federal também estaria ocorrendo de maneira discreta. Na avaliação dele, quem efetivamente tem ocupado as ruas são os candidatos à Assembleia Legislativa.
“Praticamente parece que vai ter eleição apenas para a Assembleia Legislativa”, disse.
Apesar da avaliação sobre o cenário eleitoral, Júlio Campos demonstrou confiança em sua própria campanha e afirmou que tem sido bem recebido durante as visitas e encontros com eleitores. O parlamentar atribuiu parte desse cenário ao trabalho desenvolvido durante os quatro anos de mandato e à divulgação de suas pautas pela imprensa.
Entre as bandeiras que considera terem ganhado repercussão, Júlio citou a defesa da manutenção da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá com atendimento de portas abertas 24 horas, a chamada causa PET, a cobrança pelo pagamento de RGA atrasado aos servidores públicos e a defesa de maior independência e funcionamento do Poder Legislativo.
O deputado também destacou suas críticas ao atual funcionamento da Assembleia Legislativa, especialmente em relação à realização de apenas uma sessão ordinária por semana. Para ele, o modelo representa uma falha do Parlamento.
Júlio também lembrou as críticas que vem fazendo ao Ministério Público Estadual em relação à demora na tramitação de processos. Segundo o parlamentar, sua atuação nesse tipo de cobrança também teria repercutido entre os eleitores.
Outro episódio mencionado foi o chamado “caso Oi”, no qual Júlio afirma ter atuado como um dos parlamentares que cobraram providências diante do escândalo. Na avaliação dele, os desdobramentos mais efetivos ocorreram por iniciativa do Supremo Tribunal Federal, e não da Justiça Estadual.
Com relação à disputa proporcional, Júlio reconheceu que o União Brasil terá uma chapa enxuta para a Assembleia Legislativa, com nove candidatos, mas afirmou estar confiante de que a legenda conseguirá eleger dois deputados estaduais.
Para a Câmara Federal, a expectativa do parlamentar também é positiva. Ele acredita que o partido terá condições de eleger pelo menos um deputado federal e admite a possibilidade de chegar a duas cadeiras.
A avaliação de Júlio ocorre em uma eleição marcada, até o momento, por uma pré-campanha e início de campanha com forte movimentação nos bastidores, enquanto os grupos políticos ainda consolidam alianças e estratégias para as disputas majoritárias e proporcionais.
Colaboração: Roberto Marques / MT EM FOCO
Mato Grosso
Esposa de Valmir Moretto diz que não votará no marido e dispara crise na campanha
Maristela Moretto expôs conversa com o marido, afirmou que retirou seu voto e criticou bastidores da campanha; episódio viralizou nas redes.
A campanha pela reeleição do deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos) ganhou um novo e inesperado capítulo nesta semana. O parlamentar perdeu publicamente o voto da própria esposa, Maristela Moretto, após uma divergência relacionada à campanha eleitoral.
A situação veio à tona na noite de quarta-feira (26), quando Maristela publicou nas redes sociais um print de uma conversa privada entre o casal pelo WhatsApp. Na mensagem, ela comunicou diretamente ao marido:
“Você perdeu meu voto hoje.”
A resposta atribuída a Moretto chamou ainda mais atenção e rapidamente passou a circular em grupos e perfis políticos de Mato Grosso.
“Graças a Deus. Não vai fazer falta.”
A publicação acabou sendo apagada posteriormente, mas já havia sido replicada por diversos perfis e veículos de comunicação, provocando forte repercussão nas redes sociais.
Esposa confirma publicação
Diante da repercussão, Maristela voltou às redes sociais nesta quinta-feira (27) e confirmou que foi ela própria quem publicou a conversa. Ela também negou qualquer possibilidade de invasão ou hackeamento de sua conta.
Em vídeo, a esposa do parlamentar afirmou que decidiu expor os bastidores porque não concorda com determinadas decisões tomadas durante a campanha.
“Quando eu disse para o meu marido que ele havia perdido o meu voto, foi porque eu não concordo com algumas coisas. E essa é a oportunidade de mudar algumas coisas. Porque eu não vou me calar, porque a política não está acima de qualquer coisa.”
Maristela também afirmou que não pretende apoiar alianças ou pessoas que, segundo sua avaliação, não compartilham dos mesmos valores.
“Eu não vou acompanhar o apoio de pessoas que não têm a mesma índole e o mesmo caráter que eu. Eu não vou apoiar atitudes que levam a deboche.”
Segundo ela, divergências durante períodos eleitorais não seriam novidade dentro da família, mas desta vez decidiu tornar pública sua posição.
“As mulheres são anuladas”, afirma Maristela
Outro trecho do pronunciamento que chamou atenção foi a crítica ao espaço ocupado pelas mulheres nos bastidores da política.
Maristela afirmou que esposas de políticos muitas vezes acabam sendo colocadas em segundo plano, enquanto lideranças e apoiadores assumem o protagonismo das decisões.
“A gente geralmente é anulada, a gente é tratada como sem importância. As lideranças, os apoios, eles é que ditam a regra.”
Ela ainda afirmou que pretende se posicionar mais durante a atual campanha.
“Nessa campanha eu vou me expor. Nessa campanha eu decidi que eu vou lutar pelas coisas que eu acredito.”
Efeito político
O episódio rapidamente ultrapassou o ambiente familiar e passou a ser tratado como mais um problema político para Moretto, que disputa a reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
O parlamentar já havia enfrentado forte repercussão neste ano após um vídeo gravado durante um evento oficial em Pontes e Lacerda viralizar nas redes sociais. Na gravação, feita enquanto o microfone estava aberto, Moretto comentou sobre o resultado de uma licitação e afirmou que uma das empresas vencedoras seria “a minha”.
O episódio gerou questionamentos públicos. Moretto posteriormente negou possuir vínculo societário com a empresa e classificou a declaração como um vício de linguagem.
Agora, a crise envolvendo a própria esposa coloca novamente o nome do deputado no centro das discussões políticas em Mato Grosso.
Nas redes sociais, o episódio provocou uma onda de comentários, críticas e manifestações de eleitores. Também começaram a surgir discursos de boicote à candidatura e manifestações de mulheres contrárias ao parlamentar.
Até o momento, porém, não há confirmação independente de que exista um movimento estadual formal e organizado de mulheres contra a candidatura de Moretto.
Moretto ainda não se pronunciou
Até a publicação desta reportagem, Valmir Moretto não havia apresentado uma manifestação pública específica sobre as declarações da esposa ou sobre a divulgação da conversa privada.
O caso, entretanto, já se transformou em um dos assuntos políticos de maior repercussão nas redes sociais de Mato Grosso nesta quinta-feira.
Mais do que a perda de um voto dentro de casa, a declaração de Maristela abriu uma discussão sobre os bastidores da campanha, os apoios políticos e o papel das mulheres nas decisões eleitorais.
A frase “Você perdeu meu voto hoje”, seguida da resposta “Graças a Deus. Não vai fazer falta”, acabou se tornando o símbolo de uma crise que, até então, estava restrita aos bastidores da campanha de Valmir Moretto.
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