ELEIÇÕES 2026
Esposa de Valmir Moretto diz que não votará no marido e dispara crise na campanha
Mato Grosso
Maristela Moretto expôs conversa com o marido, afirmou que retirou seu voto e criticou bastidores da campanha; episódio viralizou nas redes.
A campanha pela reeleição do deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos) ganhou um novo e inesperado capítulo nesta semana. O parlamentar perdeu publicamente o voto da própria esposa, Maristela Moretto, após uma divergência relacionada à campanha eleitoral.
A situação veio à tona na noite de quarta-feira (26), quando Maristela publicou nas redes sociais um print de uma conversa privada entre o casal pelo WhatsApp. Na mensagem, ela comunicou diretamente ao marido:
“Você perdeu meu voto hoje.”
A resposta atribuída a Moretto chamou ainda mais atenção e rapidamente passou a circular em grupos e perfis políticos de Mato Grosso.
“Graças a Deus. Não vai fazer falta.”
A publicação acabou sendo apagada posteriormente, mas já havia sido replicada por diversos perfis e veículos de comunicação, provocando forte repercussão nas redes sociais.
Esposa confirma publicação
Diante da repercussão, Maristela voltou às redes sociais nesta quinta-feira (27) e confirmou que foi ela própria quem publicou a conversa. Ela também negou qualquer possibilidade de invasão ou hackeamento de sua conta.
Em vídeo, a esposa do parlamentar afirmou que decidiu expor os bastidores porque não concorda com determinadas decisões tomadas durante a campanha.
“Quando eu disse para o meu marido que ele havia perdido o meu voto, foi porque eu não concordo com algumas coisas. E essa é a oportunidade de mudar algumas coisas. Porque eu não vou me calar, porque a política não está acima de qualquer coisa.”
Maristela também afirmou que não pretende apoiar alianças ou pessoas que, segundo sua avaliação, não compartilham dos mesmos valores.
“Eu não vou acompanhar o apoio de pessoas que não têm a mesma índole e o mesmo caráter que eu. Eu não vou apoiar atitudes que levam a deboche.”
Segundo ela, divergências durante períodos eleitorais não seriam novidade dentro da família, mas desta vez decidiu tornar pública sua posição.
“As mulheres são anuladas”, afirma Maristela
Outro trecho do pronunciamento que chamou atenção foi a crítica ao espaço ocupado pelas mulheres nos bastidores da política.
Maristela afirmou que esposas de políticos muitas vezes acabam sendo colocadas em segundo plano, enquanto lideranças e apoiadores assumem o protagonismo das decisões.
“A gente geralmente é anulada, a gente é tratada como sem importância. As lideranças, os apoios, eles é que ditam a regra.”
Ela ainda afirmou que pretende se posicionar mais durante a atual campanha.
“Nessa campanha eu vou me expor. Nessa campanha eu decidi que eu vou lutar pelas coisas que eu acredito.”
Efeito político
O episódio rapidamente ultrapassou o ambiente familiar e passou a ser tratado como mais um problema político para Moretto, que disputa a reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
O parlamentar já havia enfrentado forte repercussão neste ano após um vídeo gravado durante um evento oficial em Pontes e Lacerda viralizar nas redes sociais. Na gravação, feita enquanto o microfone estava aberto, Moretto comentou sobre o resultado de uma licitação e afirmou que uma das empresas vencedoras seria “a minha”.
O episódio gerou questionamentos públicos. Moretto posteriormente negou possuir vínculo societário com a empresa e classificou a declaração como um vício de linguagem.
Agora, a crise envolvendo a própria esposa coloca novamente o nome do deputado no centro das discussões políticas em Mato Grosso.
Nas redes sociais, o episódio provocou uma onda de comentários, críticas e manifestações de eleitores. Também começaram a surgir discursos de boicote à candidatura e manifestações de mulheres contrárias ao parlamentar.
Até o momento, porém, não há confirmação independente de que exista um movimento estadual formal e organizado de mulheres contra a candidatura de Moretto.
Moretto ainda não se pronunciou
Até a publicação desta reportagem, Valmir Moretto não havia apresentado uma manifestação pública específica sobre as declarações da esposa ou sobre a divulgação da conversa privada.
O caso, entretanto, já se transformou em um dos assuntos políticos de maior repercussão nas redes sociais de Mato Grosso nesta quinta-feira.
Mais do que a perda de um voto dentro de casa, a declaração de Maristela abriu uma discussão sobre os bastidores da campanha, os apoios políticos e o papel das mulheres nas decisões eleitorais.
A frase “Você perdeu meu voto hoje”, seguida da resposta “Graças a Deus. Não vai fazer falta”, acabou se tornando o símbolo de uma crise que, até então, estava restrita aos bastidores da campanha de Valmir Moretto.
Mato Grosso
Gisela Simona promete foco em água, saúde e políticas sociais para Várzea Grande
A candidata a vice-governadora de Mato Grosso, Gisela Simona (União Brasil), afirmou que a solução para o problema do abastecimento de água em Várzea Grande será uma das prioridades da chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos) nas eleições de 2026. Segundo ela, medidas já estão sendo adotadas para ampliar o acesso à água e destravar pontos que ainda enfrentam dificuldades no fornecimento.
Gisela afirmou que conversou recentemente com José Carlos, do Departamento de Água e Esgoto (DAE), e que uma nova unidade teria sido liberada para ampliar o abastecimento. Para a candidata, o projeto “Aliança da Água” representa atualmente a principal iniciativa voltada para Várzea Grande.
Moradora de Várzea Grande, Gisela destacou que conhece de perto as dificuldades enfrentadas pela população. “Eu que atualmente sou moradora de Várzea Grande sei na pele o que é ficar sem água”, afirmou. Ela defendeu que avanços sejam alcançados nos próximos 180 dias, até o fim deste ano, como forma de apresentar resultados concretos à população.
Além do abastecimento, a candidata citou a necessidade de uma reformulação urbana em Cuiabá e Várzea Grande. De acordo com Gisela, a proposta de Pivetta prevê atenção especial à questão habitacional, diante do número de famílias que ainda não possuem casa própria.
Na área da saúde, Gisela afirmou que a intenção é ampliar os resultados dos investimentos estruturais realizados nos últimos anos. Ela citou a construção de hospitais e defendeu a redução do tempo de espera por exames, atendimento em unidades de terapia intensiva (UTIs) e outros procedimentos.
“A gente precisa sim que cada um consiga seus exames, consiga a UTI, não fique tanto tempo na fila. Já diminuiu bastante, mas a gente quer que isso diminua ainda mais”, declarou.
A candidata também apresentou como prioridades políticas públicas voltadas às mulheres e aos idosos. Entre as propostas estão ações de combate à violência contra a mulher e a ampliação das políticas públicas destinadas à população idosa, que, segundo ela, ainda recebe poucos investimentos do poder público.
Gisela explicou ainda que a mudança de uma candidatura à Câmara Federal para a disputa como vice-governadora altera a forma de atuação política. Se antes o foco estava na elaboração e aprovação de projetos de lei, agora, segundo ela, a atenção está voltada à execução de políticas públicas pelo governo estadual.
“Agora a gente fecha a atenção total em Mato Grosso naquilo que é bom para o nosso Estado e aquilo que o Executivo pode fazer”, afirmou.
Ela ressaltou que a gestão do orçamento será fundamental para transformar as propostas em ações concretas. “Sem dinheiro a gente não exerce política pública”, disse, defendendo planejamento financeiro para garantir a execução das prioridades apresentadas pela chapa.
Ao falar sobre sua trajetória, Gisela se apresentou como cuiabana, atualmente moradora de Várzea Grande e servidora pública. Ela destacou a origem familiar ligada ao município, com a mãe da região da Guarita e o pai do Porto, e lembrou sua atuação no Procon, período em que ficou conhecida como “Gisela do Procon”.
Gisela também citou os 33 meses em que exerceu o mandato de deputada federal e destacou projetos relacionados à proteção das mulheres, entre eles o chamado pacote antifeminicídio, que elevou para até 40 anos a pena para o crime de feminicídio, além da atuação pela liberação do spray de pimenta para defesa pessoal das mulheres.
“Alguém que tem um legado, sim, que tem uma trajetória em Mato Grosso”, afirmou a candidata ao apresentar sua experiência e defender que a população conheça sua atuação antes da eleição.
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