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Torres com IA mudam a segurança perimetral de empresas

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Por muito tempo, câmeras instaladas em ambientes empresariais serviram sobretudo para registrar fatos e apoiar a apuração posterior de ocorrências. A combinação de inteligência artificial (IA) com torres de vigilância posicionadas no perímetro de galpões logísticos, centros de distribuição, canteiros de obras, estacionamentos, lojas e plantas industriais vem mudando esse papel: os sistemas passam a apontar comportamentos fora do padrão no momento em que acontecem, e uma central humana avalia cada alerta antes de agir.

A mudança ocorre em um mercado em expansão. De acordo com o Panorama da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), o setor movimentou em média R$ 14 bilhões em 2024, com crescimento de 16,1% sobre o ano anterior. No ambiente corporativo, a adoção dessas soluções parte de uma constatação: os riscos variam conforme a atividade. “Quando falamos de segurança no mercado B2B, precisamos entender que cada operação possui riscos muito específicos”, afirma Antonio Coelho, diretor de tecnologia da White Segurança.

Segundo o executivo, um galpão que armazena produtos de alto valor agregado tende a estar mais exposto a invasões e furtos de mercadorias, enquanto canteiros de obras exigem atenção a materiais e equipamentos em períodos sem circulação de funcionários. Em estacionamentos, a preocupação recai sobre veículos e depredação. Na indústria, o escopo se amplia para segurança do trabalho, normas de Meio Ambiente, Saúde e Segurança (EHS, na sigla em inglês) e proteção de áreas restritas.

Duas camadas de análise

A White Segurança utiliza o Risk Hunter, software próprio de IA, para configurar analíticos de acordo com cada cliente. O sistema pode indicar, por exemplo, um funcionário sem o equipamento de proteção individual exigido em determinada área, uma pessoa que ultrapassa um perímetro restrito ou alguém que permanece em uma região por tempo acima do esperado. “O ponto principal é que a inteligência artificial não precisa identificar apenas um objeto ou uma pessoa. Ela pode analisar a combinação de diferentes fatores, como localização, horário, tempo de permanência, objetos presentes na cena e ações humanas, para identificar situações que fogem das regras estabelecidas para aquele ambiente”, explica Coelho.

O diretor ressalta que a tecnologia não opera sozinha. Para ele, “a inteligência artificial não substitui a avaliação humana. Ela funciona como uma primeira camada de inteligência, enquanto a central de monitoramento atua como uma segunda camada de validação e resposta”. Após a checagem do contexto, os operadores podem acionar sirenes e avisos sonoros, contatar os responsáveis pela operação, mobilizar equipes locais ou, quando necessário, chamar as autoridades policiais.

Diagnóstico antes da instalação

A definição da estrutura começa por uma análise do local, que considera horários críticos, pontos vulneráveis, fluxo de pessoas e veículos, acessos autorizados e processos de movimentação de cargas. “Os horários, por exemplo, são extremamente importantes porque o mesmo comportamento pode representar situações completamente diferentes dependendo do momento em que acontece”, observa Coelho.

Reconhecimento facial e leitura automática de placas permitem montar listas de pessoas e veículos autorizados ou com restrição, enquanto iluminação, obstáculos e pontos cegos orientam a escolha e o posicionamento dos equipamentos. “No final, a tecnologia precisa se adaptar à operação, e não o contrário”, resume.

Efeito sobre as rondas

As torres reúnem câmeras com IA, processamento local, alertas sonoros e luminosos e áudio bidirecional, recurso que permite ao operador falar diretamente com quem está no local. Enquanto a ronda tradicional percorre a área em intervalos, deixando períodos sem observação direta, a estrutura fixa mantém vigilância contínua. “A torre, por outro lado, não depende desses intervalos. Ela não dorme, não descansa e não precisa interromper o monitoramento para se deslocar até outro ponto”, diz o executivo, que pondera: “Isso não significa que a tecnologia seja infalível ou que consiga identificar absolutamente tudo”.

Do ponto de vista financeiro, o modelo permite substituir parte das rondas por monitoramento remoto e manter equipes presenciais para situações que exigem intervenção física. Como uma única central supervisiona torres em diferentes endereços, a cobertura cresce sem elevar na mesma proporção o número de profissionais em campo, segundo Coelho.

Integração com programas públicos

Outra frente envolve a conexão com iniciativas como o Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, que soma 50 mil câmeras, 30 mil delas integradas por meio de parcerias com a iniciativa privada, e o Muralha Paulista, do governo estadual, que reunia 94 mil câmeras em 604 municípios no início de 2026. Ao compartilhar os fluxos de vídeo, as empresas permitem que as plataformas públicas cruzem imagens com bases que um sistema privado não acessa. “Uma pessoa que não possui qualquer restrição de acesso cadastrada no sistema privado, por exemplo, pode ter um mandado de prisão em aberto”, exemplifica o diretor.

Coelho destaca que a integração não transfere ao poder público a responsabilidade pela segurança privada nem garante intervenção policial automática a cada alerta. O compartilhamento, acrescenta, precisa respeitar os requisitos técnicos dos programas e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Na avaliação do diretor, redes formadas por câmeras privadas e públicas tendem a permitir respostas mais rápidas e coordenadas, com efeitos que alcançam também o entorno dos estabelecimentos.

Fundada em 1986, a White Segurança combina tecnologia e supervisão humana em soluções de segurança patrimonial, como portaria virtual, monitoramento 24 horas e torres de vigilância inteligentes, para condomínios e empresas.

Para mais informações, basta acessar: https://whiteseguranca.com/



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Economia

Brasil cria 121,3 mil postos de trabalho em setembro, aponta Caged

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Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados nesta quarta-feira (4), apontam que 121,3 mil postos de trabalho com carteira assinada foram abertos em setembro. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões.

O saldo é 24,7% maior em relação a agosto, quando o país criou 161 mil empregos.

A criação de empregos caiu 43,5% em comparação a setembro do ano passado, pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da economia. No mesmo mês de 2025, tinham sido criados 214,6 mil postos de trabalho, nos dados com ajuste, que consideram declarações entregues em atraso pelos empregadores.

Em relação aos meses de setembro desde 2020, esse é o resultado mais baixo da série. A mudança da metodologia no Caged impede a comparação com anos anteriores a 2020.

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Acumulado

De janeiro a setembro, o Caged registrou queda de 27,9% no acumulado de vagas formais:

  • 1.248.914 (nove meses de 2026);
  • 1.731.398 (nove meses de 2025).

Os dados trazem ajustes, quando o Ministério do Trabalho registra declarações entregues fora do prazo pelos empregadores e retifica os dados de meses anteriores.

Setores

Na divisão por ramos de atividade, quatro dos cinco setores pesquisados criaram empregos formais em setembro. Só a agropecuária demitiu mais do que contratou.

  • Serviços: 81.241 postos;
  • Indústria (de transformação, de extração e de outros tipos): 19.285;
  • Comércio: 15.697;
  • Construção civil: 9.468;
  • Agropecuária: -4.381.

Tradicionalmente, o mês de setembro é fraco para a agropecuária, por causa do início do plantio. No entanto, representa alta na atividade industrial, com as fábricas começando a produzir para o Natal.

Destaques

Nos serviços, a criação de empregos foi puxada pelo segmento de atividades administrativas e serviços complementares, com a abertura de 18,3 mil postos formais. A categoria de saúde humana e serviços sociais abriu 15,4 mil vagas. O setor de transporte, armazenagem e correio criou 13,2 mil postos.

Na indústria, o destaque positivo ficou com o segmento de serviços especializados para fabricação de produtos alimentícios (17 mil), fabricação de veículos automotores (2,1 mil) e coleta, tratamento, disposição de resíduos e recuperação de materiais (1,48 mil).

No comércio, o maior gerador de empregos foi o comércio varejista (9,43 mil), seguido por comércio por atacado, exceto veículos automotores e motocicletas (3,87 mil.

Na construção, os destaques foram obras de infraestrutura (4,66 mil) e serviços especializados para construção (3,9 mil).

Regiões e estados

Todas as cinco regiões registraram abertura de vagas formais em setembro.

Veja abaixo o desempenho de cada região:

  • Nordeste: 49.142 postos;
  • Sudeste: 39.404;
  • Norte: 14.748;
  • Sul: 9.949;
  • Centro-Oeste: 7.894.

Na divisão por unidades da Federação, 26 registraram saldo positivo. Apenas o Rio Grande do Sul demitiu 2, 9 mil a mais do que contratou. Os destaques na criação de empregos foram em São Paulo (19,3 mil), Pernambuco (13,3 mil) e Alagoas (11,1 mil).

As unidades da Federação com o menor saldo de abertura de empregos formais em setembro foram Acre (235), Goías (307) e Maranhão (654).

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, no Rio Grande do Sul, as demissões decorrem do fim da safra de fumo e da retração no comércio varejista.

Salário médio

O salário médio real de admissão em setembro totalizou R$ 2.429,41. Isso representa:

  • redução de R$ 1,10 (-0,05%) em relação a agosto (R$ 2.430,51);
  • aumento de R$ 44,90 (1,88%) em relação a setembro de 2025 (R$ 2.384,51).

Carteira assinada

Com a criação de empregos formais, o número de trabalhadores com carteira assinada encerrou setembro em 48,35 milhões, alta de 0,25% em relação a agosto e de 1,65% em relação ao mesmo mês do ano passado.



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