Desde o ano passado, a Prefeitura de Rondonópolis tem olhado de perto para os vendedores ambulantes e auxiliado na formalização de seus micro e pequenos negócios. Com a implantação do programa Ambulante Legal, idealizado pela atual gestão, cerca de 330 trabalhadores já foram localizados, mapeados e a metade deles já estão regularizados.
Com os trabalhos liderados pela Secretaria Municipal de Fazenda, o programa regulariza, de forma totalmente on-line, a atividade do vendedor ambulante, principalmente os que atuam no setor alimentos. O Certificado de Registro de Ambulante (CRA), selo expedido pelo Município, garante que o produto atende as medidas exigidas pela Vigilância Sanitária e o local de acordo com o código de obras e posturas.
A aceitação dos ambulantes tem sido positiva. De acordo com a secretária da Fazenda do Município, Rane Curto, os trabalhadores reconhecem a importância de estar regularizado e se sentem valorizados, tal como um empreendedor que atua em um imóvel. “O Ambulante Legal leva dignidade para os vendedores. Ele reconhece a atividade, assegura um local apropriado e ainda faz a economia circular”, ressaltou Rane Curto.
Alguns locais que concentram as atividades desses trabalhadores já estão organizados, liberando o fluxo das vias onde os trailers e carrinhos ficavam, levando mais segurança para o ambulante e seus clientes. A avenida Lions Internacional, as praças Brasil e dos Carreiros são uns dos principais pontos da cidade que foram organizados.
A microempresária Taynan Martins ressaltou que o suporte da prefeitura foi fundamental para facilitar todas as etapas do processo. “A prefeitura explicou tudo, tirou nossas dúvidas e, quando o processo começou, já estávamos preparados. Foi só fazer a solicitação, marcar o ponto e conferir se estava tudo adequado. Não tivemos nenhuma dificuldade”, relatou.
Para fazer o cadastro no Ambulante Legal, basta clicar no ícone Ambulante Legal no site da Prefeitura – www.rondonopolis.mt.gov.br. O interessado terá de preencher um formulário com os dados pessoais, indicar o tipo de produto que comercializa, o local onde tem fixado suas vendas, o tipo de veículo ou equipamento que utiliza e informar a quanto tempo trabalha no local.
Com o sucesso da iniciativa, outras cidades de Mato Grosso também estão procurando Rondonópolis para conhecer de perto o programa.
Além da Fazenda, o CRA atesta que o vendedor está regular também com as questões da Vigilância Sanitária, meio ambiente e mobilidade urbana.
Vendedores ambulantes reunidos com a secretária Rane Curto durante evento Café com Ambulante.
Ao levar pessoas para dentro da
biblioteca para usufruírem dos mais diversos tipos de linguagens
artísticas, preenche-se esse equipamento cultural de vida e
multiplica-se o conhecimento nas suas mais diversas formas. Essa é a
opinião do secretário adjunto de Cultura e Juventude, Jeth Wilson
Figueiredo, quando se refere ao lançamento da obra de autoficção
de Janete Oliveira de Carvalho, que acontece na próxima sexta-feira
(25), às 19h, na Biblioteca Rachid Mamed.
Jeth
salienta ainda que a iniciativa faz parte do Projeto Biblioteca Viva,
que acredita que a cultura não está longe, mas perto e dentro da
comunidade, podendo ser sorvida e produzida pelos próprios membros
do grupo comunitário. “A biblioteca deve ser lugar de encontro,
troca de ideias, manifestação, participação e formação cultural
através da realização de uma programação vasta e intensa. Assim,
por meio de ações como o lançamento do livro da Janete, buscamos
incentivar a população a frequentar nossas bibliotecas e ter nesses
espaços públicos locais de expressão e consumo de cultura nas suas
variadas modalidades”, defende ele.
Registros
feitos ao longo do tempo no papel, como se este fosse seu melhor
amigo, foram transformados em uma obra
literária em que a autora, com sensibilidade e maestria,
aborda temas delicados, mas necessários,
como abuso psicológico e físico na infância, além do
silenciamento que perpetua a violência contra a criança.
A
escrita como catarse foi seu refúgio durante um grande período,
permitindo que Janete conseguisse processar memórias dolorosas. “Um
dia, ao mostrar alguns textos para meu psicanalista, ele sugeriu que
eu os publicasse. Acolhi a ideia e comecei a elaborar os escritos não
mais apenas para desabafar, mas para dividi-los com as pessoas”,
comenta ela.
Tomando
como linha mestra da
trama a atitude insidiosa e invasiva por parte de quem deveria
cuidar e proteger, mas, se aproveitando da autoridade e ascendência
da qual era investido à época dos fatos, massacra e oprime o
vulnerável e indefeso, a escritora tece a autoficção levando o
leitor a um recinto pantanoso com uma atmosfera sombria onde se
passam os acontecimentos, instigando-o a questionar títulos e papéis
atribuídos mas, por vezes, não desempenhados, como paternidade e
patriarcado.
Densa,
a obra traz questões importantes e atuais sobre a fragilidade
infantil diante a violência contra a criança, julgamento social e
familiar, culpabilização, intimidação, vergonha e medo. A
invalidação e a descredibilização da vítima, como mais um fardo
a ser enfrentado, são outros aspectos desse contexto penoso
retratado pela autora.
Residindo
atualmente em Itanhaém (SP), onde já lançou o livro, a escritora,
que é natural de Goiânia, declara que fazer a noite de autógrafos
em Rondonópolis – cidade na qual morou de 1986 a 2007, formou sua
família, construiu sua carreira como professora e sua vida pública
– é uma prova de fogo, já que agora, por meio dessa obra, as
pessoas vão ver quem é a verdadeira Janete, sem maquiagem.
“Quem
me conhece em Rondonópolis tem uma imagem social e superficial sobre
mim. Mas, depois de lerem o livro, todos vão me enxergar na
intimidade, vão saber da bagagem e das marcas que carrego na alma”,
manifesta a escritora.
Para
Janete, falar sobre um tema tão delicado é fundamental para coibir
que situações semelhantes aconteçam com outras pessoas. “Meu
desejo, quando decidi publicar essa história, era que ela fosse uma
ferramenta de libertação para aqueles, homens e mulheres, que
tenham sido abusados psicológica e fisicamente. Acredito que a
palavra é o início da cura. Ela liberta. Por isso, é preciso tocar
nesse assunto, evitar sua naturalização e legitimar o discurso da
vítima que, recorrentemente, é colocado em dúvida”, declara a
autora.
São
316 páginas em que Janete faz revelações e reflexões sobre a
vulnerabilidade da criança, seu espaço e a voz que lhe é dada no
seio familiar, abuso e tomada de consciência por parte da vítima e
consequências na vida adulta, desmistificando tabus e destrinchando
os nós desse novelo social que impactam os atingidos pela violência,
encarando o assunto com a coragem, a força e a sabedoria daqueles
que sofreram, mas sobreviveram.
Oportunidades
como a que vai ocorrer na próxima sexta-feira estão abertas a
entidades, produtores e fazedores de cultura que queiram expor seus
trabalhos em um dos equipamentos culturais
disponíveis na cidade.
Em
Rondonópolis, há duas bibliotecas públicas que adotam o Projeto
Biblioteca Viva, conforme ressalta Jeth: “Utilizamos essa concepção
tanto na Rachid Mamed, que se encontra no Centro, quanto na
Biblioteca Manoel Severino da Silva, que se localiza na Vila
Operária. Ambas recebem aqueles que queiram fazer saraus,
performances, apresentações, enfim, encontros cultuarais”.
Reservas
para usar os espaços de uma das duas bibliotecas podem ser feitas
presencialmente no Centro Cultural José Sobrinho, na Rua Barão do
Rio Branco 2.650, Jardim Santa Luzia, entre a OAB e a UPA, ou através
do e.mail dlllbrondonopolis@gmail.com.
A
Biblioteca Rachid Mamed fica na Avenida
Marechal
Rondon 639, Centro.