Várzea Grande
Projeto social transforma campo de futebol em fábrica de sonhos e muda a realidade de crianças em Várzea Grande
Várzea Grande
Enquanto muitos jovens passam as noites diante das telas ou expostos aos perigos das ruas, dezenas de crianças e adolescentes de Várzea Grande encontraram um lugar onde o uniforme mais importante é o da esperança. No campo de futebol do bairro 8 de Março, atrás da Praça do Parque do Lago, o apito marca muito mais do que o início de um treino: anuncia a oportunidade de um futuro melhor.
Há apenas seis meses, a Escolinha do Vitória nasceu da união de moradores da própria comunidade que decidiram transformar um simples campo de futebol em um espaço de acolhimento, disciplina, amizade e cidadania. Hoje, o projeto atende gratuitamente meninos de 7 a 16 anos e, mais recentemente, abriu uma turma feminina para adolescentes de 12 a 17 anos.
À frente da iniciativa estão os organizadores Victor Luiz e Flávio Soares, que, ao lado de moradores, familiares e voluntários, coordenam todas as atividades da escolinha. Segundo Victor, o projeto nasceu do desejo coletivo de oferecer novas oportunidades às crianças e adolescentes da região.
“Esse projeto nasceu há seis meses e é totalmente organizado pelos moradores da região. Os professores são voluntários, ninguém recebe salário. Os pais ajudam no que podem, a Prefeitura contribui com a manutenção do campo, mas a maior parte do trabalho é feita por nós mesmos, colocando a mão na massa”, afirma.
Mais do que ensinar fundamentos do futebol, a escolinha trabalha valores que muitas vezes mudam o rumo da vida dos participantes. “Não basta apenas querer jogar bola. Nós conversamos com a família, acompanhamos como o aluno está na escola e dentro de casa. Aqui existem regras, disciplina e respeito. Nosso objetivo é formar cidadãos antes de formar atletas”, destaca Flávio.
E o compromisso com a comunidade vai além das quatro linhas. Todas as quintas-feiras, após os treinos, os organizadores, familiares dos alunos e voluntários promovem um sopão solidário para atender moradores da região, fortalecendo ainda mais o vínculo entre o projeto e a comunidade.
Solidariedade que veste chuteiras
Um dos exemplos desse espírito voluntário é o professor Aloísio Chaves da Costa, morador da região e educador, que aceitou imediatamente o convite para integrar a equipe.
Sem qualquer remuneração, ele dedica parte do seu tempo para ensinar futebol e, principalmente, incentivar sonhos.
“É muito importante estar aqui ajudando o próximo. Gosto muito de futebol e acredito que vale a pena dedicar esse tempo para incentivar essas crianças. Fui convidado para participar e aceitei na hora. Minha família apoia e participa também. Hoje isso aqui já faz parte da nossa vida”, afirma.
A dedicação dos voluntários é o combustível que mantém o projeto funcionando e inspira os jovens que chegam todos os dias ao campo.
Onde nasce um sonho
Entre eles está Pedro Henrique, de 17 anos, estudante da Escola Dunga Rodrigues.
Ele conheceu a escolinha por meio do irmão mais novo e rapidamente encontrou um novo propósito.
“Meu irmão começou a treinar primeiro. Vim assistir um dia e resolvi participar também. Estou gostando muito. Venho toda terça e quinta-feira. É muito importante esse projeto. Meu sonho é ser jogador”, conta.
Histórias como a de Pedro se multiplicam a cada treino, mostrando que o esporte continua sendo uma poderosa ferramenta de inclusão social.
Uma oportunidade para toda a comunidade
As inscrições permanecem abertas para crianças e adolescentes interessados em participar. O projeto é gratuito e desenvolvido por voluntários que acreditam no esporte como instrumento de transformação social.
Serviço
📍 Local dos treinos
Campo de Futebol do bairro 8 de Março, localizado atrás da Praça do Parque do Lago, em Várzea Grande.
📅 Dias
Terças e quintas-feiras.
🕕 Horário
Das 18h às 19h40.
📞 Informações e inscrições
(65) 9 9338-8482 (falar com Kamila Cristina).
Como ajudar
Apesar de todo o sucesso e do impacto positivo na vida das crianças e adolescentes, a Escolinha do Vitória sobrevive graças ao trabalho voluntário e ao apoio da comunidade. Organizadores, professores, familiares e colaboradores não recebem remuneração e mantêm as atividades com muita dedicação e esforço coletivo.
Para continuar oferecendo treinos gratuitos, o tradicional sopão solidário e um ambiente seguro para dezenas de jovens, o projeto busca apoio da sociedade, empresários e pessoas que possam contribuir com ajuda de custo, materiais esportivos, alimentação ou qualquer outra forma de parceria. Toda colaboração representa um investimento direto no futuro de crianças e adolescentes que encontraram no esporte uma oportunidade de sonhar e construir um caminho longe da vulnerabilidade social.
Várzea Grande
Sob a condução de Raul Curvo, Câmara esclarece que projeto de R$ 16 milhões do DAE foi retirado pelo Executivo — Câmara Municipal
Sob a condução do vereador Raul Curvo, a sessão ordinária da Câmara Municipal de Várzea Grande foi marcada por esclarecimentos contundentes sobre o destino do projeto de lei do Executivo que previa um repasse de R$ 16 milhões, em parcelas mensais de R$ 2 milhões, para o Departamento de Água e Esgoto.
Diante de distorções veiculadas em alguns portais de notícias, a Mesa Diretora e os parlamentares detalharam os fatos e desfizeram narrativas inverídicas sobre a tramitação da matéria. Durante os trabalhos legislativos, a vereadora Gisa Barros pediu a palavra para alinhar o entendimento dos fatos e solicitar que a presidência reiterasse o que de fato ocorreu com a proposta. Em resposta, a condução da sessão esclareceu que não partiu da Casa de Leis a devolução do projeto do DAE.
A suspensão e a retirada da matéria de pauta ocorreram por solicitação exclusiva do Poder Executivo, em decorrência direta do decreto de calamidade financeira que vigora no município. Enquanto o projeto de R$ 16 milhões foi devolvido a pedido da própria Prefeitura, a Comissão de Constituição, Justiça e Redação adotou o sobrestamento de outras matérias correlatas. A medida visa resguardar o Legislativo e garantir que nenhuma votação precipitada ocorra enquanto durarem os efeitos dos decretos de calamidade financeira, ficando a Casa apta para retomar a análise caso a situação fiscal seja normalizada pelo Executivo.
A discussão sobre o DAE abriu espaço para um debate aprofundado sobre a real situação contábil da prefeitura. A vereadora Gisa Barros elevou o tom das críticas na tribuna ao relatar a situação crítica enfrentada por fornecedores e empresários locais. Segundo a parlamentar, diversos empresários têm procurado os gabinetes dos vereadores em busca de socorro para conseguir receber dívidas acumuladas pela administração municipal. Gisa Barros destacou que o cenário é inédito em sua trajetória legislativa, apontando que nunca viu empresários precisando recorrer à Câmara para cobrar pagamentos em atraso, e questionou os rumos da gestão da prefeita frente às promessas de campanha.
Como desdobramento das cobranças, foi protocolado um requerimento direcionado à Diretoria Legislativa para exigir da Prefeitura de Várzea Grande um balanço transparente e detalhado sobre a saúde financeira do município, dimensionando o impacto das dívidas pendentes com o setor produtivo local.
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