Mato Grosso
1º Fórum Mato-Grossense de Uma Só Saúde debate integração entre saúde humana, animal e ambiental
Mato Grosso
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) abriu, nesta quinta-feira (25), o 1º Fórum Mato-Grossense de Uma Só Saúde, iniciativa promovida pelo Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN), em parceria com a Casa de Leis e com apoio do deputado estadual Paulo Araújo (Republicanos). Realizado no Auditório Milton Figueiredo, o encontro reuniu representantes da sociedade civil, universidades, movimentos sociais, gestores públicos, profissionais da saúde, pesquisadores e lideranças comunitárias para discutir estratégias integradas de enfrentamento aos desafios da saúde pública.
Com o tema Uma Só Saúde, o fórum parte do entendimento de que a saúde humana, a saúde animal, a saúde ambiental e a justiça social estão diretamente interligadas. A programação, que segue até às 18 horas, prevê debates sobre o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), doenças negligenciadas, vigilância em saúde, controle de zoonoses, segurança alimentar, mudanças climáticas, vigilância ambiental e participação social.
Como resultado do encontro, será elaborada a Carta do 1º Fórum Mato-Grossense de Uma Só Saúde, documento que reunirá propostas e recomendações destinadas aos gestores públicos e à sociedade civil para fortalecer políticas públicas voltadas à saúde integrada.
O deputado estadual Paulo Araújo destacou que a proposta do fórum é ampliar o olhar sobre a saúde pública, indo além da assistência hospitalar.
“Nós vamos discutir aqui a integralidade do sistema público de saúde em todas as vertentes e em todos os olhares. Não só na doença. Queremos trazer um olhar diferenciado para todas as áreas do sistema público de saúde, não apenas da saúde humana, mas também da saúde animal, das doenças negligenciadas, da vigilância epidemiológica, da vigilância em saúde, da vigilância sanitária e da atenção hospitalar”, afirmou.
O presidente do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN), João Victor Pacheco Fos Kersul de Carvalho, ressaltou que o fórum representa um espaço democrático para fortalecer a cooperação entre diferentes setores, considerando as características ambientais de Mato Grosso.
Segundo ele, a proposta é conscientizar autoridades e a população sobre a necessidade de ações integradas.
“É um espaço democrático que busca fortalecer as políticas públicas, a cooperação e a colaboração entre os setores. Precisamos olhar para a saúde, para o meio ambiente e para todas as pessoas que vivem tanto na zona rural quanto na urbana. A intenção do fórum é conscientizar as pessoas e as autoridades para que haja um trabalho integrado e interinstitucional, melhorando a qualidade de vida da população mato-grossense”.
João Victor explicou que o Movimento atua nacionalmente no enfrentamento de 14 doenças negligenciadas, entre elas hanseníase, leishmaniose, doença de Chagas, arboviroses e doenças parasitárias. Em Mato Grosso, segundo ele, a atuação está concentrada principalmente na hanseníase e na leishmaniose.
Ele destacou que o combate às doenças depende também da preservação ambiental e do controle das zoonoses.
“Se a gente não cuidar do meio ambiente, do acúmulo de lixo, da degradação das árvores e também do abandono dos animais, não vamos conseguir conter doenças como a leishmaniose. Não é possível cuidar da saúde humana sem cuidar da saúde animal e do meio ambiente, porque uma depende da outra”.
O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT), Aruaque Lotufo, afirmou que a atuação preventiva da Medicina Veterinária tem ganhado cada vez mais relevância dentro da abordagem Uma Só Saúde.
Segundo ele, prevenir doenças nos animais reduz o risco de transmissão para os seres humanos e representa uma das estratégias mais modernas adotadas mundialmente.
“Hoje, abordar a saúde dos animais, combatendo e diminuindo o risco de transmissão para o ser humano, é a abordagem mais moderna, aceita e defendida mundialmente. O médico-veterinário ganha uma importância muito grande nessa prevenção e no enfrentamento de doenças que afetam a população”, pontuou Aruaque.
Lotufo alertou que Mato Grosso apresenta elevada incidência de algumas enfermidades.
“Temos uma prevalência muito alta de leishmaniose e já enfrentamos surtos epidêmicos de esporotricose. Precisamos abordar a saúde de forma mais eficiente e planejada, utilizando estudos epidemiológicos. O médico-veterinário tem papel fundamental ao trabalhar estrategicamente para otimizar os recursos públicos e reduzir essas doenças tanto nos seres humanos quanto nos animais”, alertou.
Representando o Ministério da Saúde, o coordenador-geral de Vigilância de Zoonoses e Transmissão Vetorial, Francisco Adilson Ferreira de Lima, destacou que a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente é interdependente.
“As alterações no meio ambiente e na saúde dos animais impactam diretamente a saúde das pessoas. Precisamos nos antecipar e, para isso, é necessário um trabalho intersetorial e interdisciplinar, envolvendo diferentes profissões, diferentes setores e políticas públicas voltadas para prevenir esses riscos”.
Ele ressaltou que a participação da sociedade é indispensável para o sucesso das políticas públicas.
“A sociedade civil são nossos olhos e nossos ouvidos. Ouvi-la e construir soluções conjuntamente é a chave para enfrentar esses desafios”, reforçou Francisco.
Mato Grosso
“Nunca vi uma campanha tão sem graça”, dispara Júlio Campos sobre eleição de 2026
Candidato à reeleição pelo União Brasil afirma que disputa ao Governo está sem vibração e diz que apenas candidatos à Assembleia Legislativa estão movimentando as ruas
O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), candidato à reeleição, classificou a campanha eleitoral de 2026 como a mais “estranha” de sua trajetória política. Com 54 anos de participação em disputas eleitorais, o parlamentar afirmou que nunca havia presenciado uma eleição com tão pouca movimentação, especialmente entre os candidatos aos cargos majoritários.
“É a campanha mais estranha da minha vida. Estou na política partidária, disputando eleição, desde 1972, há 54 anos. Eu nunca vi uma campanha tão sem graça, tão sem vibração, tão sem alma, tão sem coração e tão esquisita como esta de 2026”, afirmou.
Segundo Júlio, a falta de movimentação é mais perceptível na disputa pelo Governo de Mato Grosso. Ele citou a existência de quatro ou cinco candidatos, mas avaliou que praticamente não há presença deles nas ruas.
Para o deputado, a disputa pelo Senado apresenta um pouco mais de movimentação, enquanto a eleição para deputado federal também estaria ocorrendo de maneira discreta. Na avaliação dele, quem efetivamente tem ocupado as ruas são os candidatos à Assembleia Legislativa.
“Praticamente parece que vai ter eleição apenas para a Assembleia Legislativa”, disse.
Apesar da avaliação sobre o cenário eleitoral, Júlio Campos demonstrou confiança em sua própria campanha e afirmou que tem sido bem recebido durante as visitas e encontros com eleitores. O parlamentar atribuiu parte desse cenário ao trabalho desenvolvido durante os quatro anos de mandato e à divulgação de suas pautas pela imprensa.
Entre as bandeiras que considera terem ganhado repercussão, Júlio citou a defesa da manutenção da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá com atendimento de portas abertas 24 horas, a chamada causa PET, a cobrança pelo pagamento de RGA atrasado aos servidores públicos e a defesa de maior independência e funcionamento do Poder Legislativo.
O deputado também destacou suas críticas ao atual funcionamento da Assembleia Legislativa, especialmente em relação à realização de apenas uma sessão ordinária por semana. Para ele, o modelo representa uma falha do Parlamento.
Júlio também lembrou as críticas que vem fazendo ao Ministério Público Estadual em relação à demora na tramitação de processos. Segundo o parlamentar, sua atuação nesse tipo de cobrança também teria repercutido entre os eleitores.
Outro episódio mencionado foi o chamado “caso Oi”, no qual Júlio afirma ter atuado como um dos parlamentares que cobraram providências diante do escândalo. Na avaliação dele, os desdobramentos mais efetivos ocorreram por iniciativa do Supremo Tribunal Federal, e não da Justiça Estadual.
Com relação à disputa proporcional, Júlio reconheceu que o União Brasil terá uma chapa enxuta para a Assembleia Legislativa, com nove candidatos, mas afirmou estar confiante de que a legenda conseguirá eleger dois deputados estaduais.
Para a Câmara Federal, a expectativa do parlamentar também é positiva. Ele acredita que o partido terá condições de eleger pelo menos um deputado federal e admite a possibilidade de chegar a duas cadeiras.
A avaliação de Júlio ocorre em uma eleição marcada, até o momento, por uma pré-campanha e início de campanha com forte movimentação nos bastidores, enquanto os grupos políticos ainda consolidam alianças e estratégias para as disputas majoritárias e proporcionais.
Colaboração: Roberto Marques / MT EM FOCO
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