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Várzea Grande (MT), 23 de julho de 2018 - 08:25

Artigos

03/07/2018 08:30

Projeto voz a juventude

O prato sujo da política
Há uma classificação mais genérica na administração pública que divide as atividades do Estado em três períodos: patrimonialista, burocrático e gerencial. Pouco importa definir os dois últimos, pois a consciência do povo nacional ainda se calça no primeiro período. Como se fossem uma coisa só, as palavras dinheiro e política são quase simultaneamente proferidas no nosso vocabulário. É o seu Zé que vende o voto por migalhas, a dona Maria que apoia um candidato por uma pilha de tijolos ou o jovem que se filia a algum partido atrás de cargo público. 
Não é crime querer poder, dinheiro e status social. Não é imoral querer ascender na vida. Porém, usar os aparatos públicos para isso é no mínimo um pensamento miserável. Quem faz isso esquece que explora aquilo que também é seu. É seu e todos mais. O político que também pagam impostos são aqueles mesmos que utilizam das vias públicas. O mesmo empresário que frauda licitação é o que precisa de segurança pública para poder manter sua propriedade. O Estado não é o paraíso, mas é o inferno necessário para a boa convivência de todos. Deturpá-lo é deturpar a si mesmo. 
Mas a discussão em pauta não é o Estado mínimo, máximo ou necessário. São as pessoas que utilizam dos seus privilégios para beneficiar suas vidas pessoais. Um dos exemplos mais emblemáticos no Brasil é a operação lava-jato. Desde março de 2014, quando se iniciou a primeira fase da operação, foram recuperados aos cofres públicos 11,5 bilhões de reais, segundo o Ministério Público Federal. No Brasil moral (conceito que avalia não apenas a economia, mas a psicologia de uma sociedade e seus efeitos), sem dúvida haverá um marco histórico: antes da lava-jato e depois da Lava-Jato. A pergunta que se cacifa na mente daqueles que sobrevoam o senso comum é de onde surgiram esses agentes responsáveis pelo show de pirotecnia? Seriam eles frutos de uma sociedade que repele a corrupção ou filhos do sobrenatural brasileiro? A resposta desejável não é resposta necessária. Todos sabem que esses agentes públicos são a personificação institucional e sistêmica do seu ZÉ e da dona Maria.
Por outro lado, os mesmo estrangeiros, os paladinos da moral, aqueles que “também são fruto do sobrenatural” criticam como se nunca quisessem se sentar na mesma mesa. No restaurante do poder, todos têm fome, mas poucos têm a oportunidade de comer. Procuradores, juízes e políticos da moral despontam no cenário nacional. O mesmo que acusavam, hoje fazem alianças políticas, os que julgavam, não querem ser medidos pela justiça e os que moralizavam, são filmados recebendo propina. 
Em um aspecto mais amplo, a noção de patrimonialismo nasceu junto com o absolutismo moderno. Não que os antigos imperadores distinguiam aquilo que era social ou pessoal, porém, não utilizavam sistemicamente o então “Estado” para privilégios pessoais. Já no século XXI, o simples fato de convidar alguém para uma reunião de partido é confundido com ficar rico. O jovem que mexe com movimentos sociais/políticos é visto pelos demais como ambicioso, vagabundo e filho da corrupção. É como se fosse realmente um binômio as palavras dinheiro e política. Isso é um empobrecimento total. 
Enfim, em um país onde necessitou de um marco, antes da lava-jato e pós lava-jato, há para o futuro uma esperança. A Juventude deve compreender que não é mais a figura do posterior, mas agora um protagonista do presente. Ocupar espaços vazios é necessário. A luta diária de cada jovem é contra o desemprego, a educação falida e a criminalidade, e mesmo com todos esses empasses, a luta agora também é política. A luta para mudar o pensamento de muito seus Zé’s e donas Marias. Servir pratos amargos foi necessário, para pudéssemos agora reconhecer o doce.

Vinícius Pires - Vice-Presidente da JPSDB-Cuiabá


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