Busca

Cuiabá
Carregando...

? ºC

/

Várzea Grande (MT), 20 de junho de 2018 - 21:59

Artigos

03/05/2018 10:22

Batman: o cavaleiro das trevas ressurge em 2018

Sempre assistia aos filmes do Batman porque causavam fascínio seu estilo Charles Bronson (1921-2003). Acho que não era só isso. Dos super-heróis ele era o mais humano. Era e ainda é aquele que mais expressa nossas vontades contidas pela lei. Quando tudo estava perdido, sempre aparecia com sua inteligência fantástica representada e armazenada em seu cinto de utilidades. O filme de Christopher Edward Nolan The Dark Knight Rises, em 2012, lucrou algo em torno de 1,04 bilhões pelo mundo afora. No Brasil de dois em dois anos “o cavaleiro das trevas ressurge”.

A Gothan City, aquele lugar sem jeito, se encaixa perfeitamente no imaginário social político que sempre vivemos ainda hoje. Um lugar desesperador, cheio de corrupções e injustiça, onde a democracia fora vencida, ou quase se não fosse o Batman. Lugar escuro, tenebroso onde sempre é noite. Batman sempre ressurge quando o caos é instalado. Nosso herói trabalha melhor solitário, aliás, é essa sua maior qualidade. É só pensarmos na construção midiática da figura do juiz Sergio Fernando Moro. Os indefesos querem trabalhar em conjunto, mas ele – “alguém que nasceu para fazer somente o bem” – pelo bem maior tem regras próprias para garantir o sonho dos indefesos, sempre está sozinho. Nada mais performático!

Todos os dias a nossa “Gothan City” recebe mais restaurações para manter-se sempre uma Gothan. Nossas opiniões cada vez mais estão sendo formadas (ou deformadas) dentro de um processo chamado e aclamado por: era da pós-verdade. Já era difícil dizer o que é certo ou errado, mas agora o tradicional dilema diluiu-se na busca por afirmações express ou verdades de micro-ondas, prontas para serem consumidas em poucos minutos. Não precisamos saber muito sobre determinado assunto para pitaquearmos. Rapidamente nos tornamos vítimas dos mecanismos de busca “imparciais”.

Na era do ou da pós-verdade os indivíduos sabem cada vez mais de tudo um pouco sem conexão alguma com coisa alguma. No entanto, sempre dispostos a darem as suas vidas por essas verdades. Basta vermos os clamores por condenações de suspeitos que foram detidos para ainda seguir o devido processo legal de investigação. As torrentes de in-formações provocam centenas ou milhares de versões sobre tal fato gerando uma enormidade de meias-verdades que deformam os sujeitos em suas opiniões.

É nesse campo movediço de fabricação de verdades que “Gothan” é reconstruída ou reformada a fim de que “Batman” sempre apareça. Assim temos: os vírus estão por toda parte matando pessoas; milhões de dicas para viver com saúde; polícia de “Gothan” não dá conta da criminalidade que cresce assustadoramente; dados revelam que os políticos são todos ladrões; a economia está em declínio assustador; o caos está instalado! “Batman” é a razão de “Gothan” existir e vice-versa.

Numa sociedade culturalmente judaico-cristã, que na verdade é uma comunidade imaginada (ANDERSON, 2008), onde se acredita na figura do messias como o ungido que virá nos resgatar das mãos cruéis de nossos algozes e que num futuro restaurará a Terra retirando todos os males para sempre, permite a introdução no jogo político personagens que flertam com esse esquema simbólico do imaginário social (BOURDIEU, 2000). O suposto caos político, econômico, social, e demais outros, só serão solucionados com a vinda de alguém de fora, porque aqui dentro estão todos comprometidos. Só alguém “puro sangue”, diferente, geneticamente modificado poderá resolver nossos problemas. Então, a cada dois anos ele vem, sempre modesto (acho que nem sempre) lutando contra seu destino: salvar o mundo!

É nesse contexto que “Batman” ressurge! Desde há muito tempo, nossos candidatos a cargos políticos perceberam que precisam “surfar” no imaginário social dos brasileiros. Se quiserem ganhar as eleições, não basta ser honesto, devem se encaixar nas necessidades imaginárias da maioria. Então começam os trabalhos com a memória reforçando cada vez mais elementos simbólicos de alto efeito nos sentimentos há tempos plantados. Segundo Margaret Macmillan (2010) a história é um meio de estimular uma comunidade idealizada. Os nacionalistas vão dizer que sua nação existe desde sempre e que agora estão tentando acabar com ela.

Os Batmans precisam parecer serem de outro mundo, messias prometidos, flertando com a cultura que lhe é própria na transmissão de significados importantes para sua ascensão ao poder (CHARTIER, 1991). É difícil encontrarmos pessoas interessadas em discutir política e propostas com suas capacidades de serem realizadas. Mas podem ficar tranquilos, parece que esse ano teremos, se já não estamos assistindo, Batman o cavaleiro das trevas ressurge em 2018.   

Eduardo Leite é mestre em História pela UFMT - e-mail: profeduardoleite@gmail.com

 

 

 

 

 


VGNews

Endereço: Av. Castelo Branco-Nº.1640- Sala- 202- Agua Limpa-Várzea Grande-MT 

E-mail: vgnewsmt@gmail.com

Telefone: (65) 3686-3213 

Redes Sociais

© Copyright  2010-2017 VG News 

versão Normal Versão Normal Painel Administrativo Painel Administrativo