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Várzea Grande (MT), 19 de novembro de 2017 - 13:54

Artigos

07/11/2017 13:50

Nem tudo são flores

Rafael Vieira Nunes e Flávia Nogueira*

Muito se tem falado sobre a biodiversidade. Hoje, no mundo todo, grande parte das pessoas compreende que é importante manter a variedade de formas de vida na natureza. Poucos sabem, no entanto, que as diferentes espécies, com suas múltiplas cores, dimensões e tipos de comportamento refletem milhares de anos de contínuas mudanças genéticas, que foram permitindo suas adaptações e sobrevivência. São inovações surpreendentes e nós dependemos disto para a nossa própria existência.

Não estaríamos aqui sem plantas para nossa alimentação e para a regulação climática, ou sem os micro-organismos que vivem dentro de nós e ajudam a digerir os alimentos que nos sustentam. Os produtos que vemos nas prateleiras das farmácias e supermercados representam uma pequena parte da biodiversidade que está do lado de fora e muitos não estariam lá sem as espécies polinizadoras. Estes são apenas alguns poucos exemplos dos inúmeros produtos e serviços ambientais garantidos pelas espécies vivas que evoluíram conosco no planeta.

Quando olhamos para Mato Grosso é fácil imaginar a intricada rede de organismos que habitam os diversos rios, morros, chapadas, lagos, cerrados e florestas. Parte dessa biodiversidade é justamente a base da nossa economia: as culturas de grãos, cereais, do boi e da agricultura familiar. O que explica a elevada biodiversidade por aqui, além da grande dimensão territorial, é a longa história do terreno que pisamos. Na Chapada dos Guimarães, por exemplo, encontramos diversas conchas minúsculas fossilizadas, que têm perto de 300 milhões de anos! Ou restos de titanossauros, com 65 milhões de anos! São demorados ciclos de extinções e de surgimento de novas espécies.

Mas atualmente uma parte significativa das espécies vivas encontra-se ameaçada. Nesse caso, a extinção não é seguida do surgimento de novas espécies, porque não há tempo para tal – o surgimento de uma espécie pode demorar milhares de anos e o nosso modo de vida está acelerando o   processo, que seria longo e natural.

Os geradores de ameaças são diversos: agropecuária extensiva e expansão de cidades, envenenamento dos ambientes naturais, poluição por esgotos, resíduos, introdução de espécies exóticas, queimadas descontroladas, drenagens de áreas úmidas, construção de barragens, extração de areia e minérios. Estes são alguns dos processos que fazem com que mais de 100 espécies dos nossos animais e plantas apareçam em listas brasileiras oficiais de espécies em extinção. Isso quer dizer que de muitos insetos, répteis, anfíbios, mamíferos, e de plantas como mogno, jatobá e castanheira restarão apenas fotografias, relatos, artigos e exemplares nos museus.

É importante lembrar que as extinções, em sua maioria, são produtos da nossa tomada de decisões. O estímulo à agroecologia e agricultura familiar, ao turismo de observação, à criação e à gestão correta de Unidades de Conservação são algumas estratégias bem consolidadas no mundo todo para a conservação, mas infelizmente ainda não aplicadas em larga escala por aqui. Outra estratégia bem conhecida é a elaboração de listas vermelhas de espécies ameaçadas, que por si só não garantem a conservação, mas podem direcionar os esforços da sociedade e do poder público.

Nosso estado tem valiosas oportunidades de integrar os inúmeros elementos da sua biodiversidade à cultura local e à produção econômica, respeitando e conservando assim, seu próprio patrimônio natural. Nas universidades e instituições de pesquisa dezenas de pesquisadores estão prontos para o trabalho, mas infelizmente nem tudo são flores. Faltam decisões políticas firmes, de longo prazo, para financiar o enfrentamento deste enorme desafio.

 

* Rafael Vieira Nunes é biólogo, Assistente Ministerial MPE - Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa Ambiental e Ordem Urbanística. Flávia Nogueira é bióloga e professora do Instituto de Biociências da UFMT.

 

 


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